
Eu não quero por em causa a sexualidade de todo um povo, mas acho que o facto de se vestirem todos como o Zézé Camarinha não é suficiente para os qualificar de machos. Isto a propósito desta notícia do Correio da Manhã, brilhante publicação que dá origem a tanta conversa no Café Central, como aliás acontece em qualquer tasca do país.
A começar pelo "Curso Básico de Prostituição Profissional". Algo que se aprende na universidade da vida e com a prática, os espanhóis preferem tirar um curso, é lá com eles. E digo "os espanhóis" e não "as espanholas" precisamente porque a maioria dos inscritos são homens. Acho que é mesmo desta que os tugas deixam de passar a fronteira rumo às "casas de pasto" espanholas e começam a preferir o produto nacional...
Como já devem ter visto nas notícias, aqui na França mudaram de presidente. Correram com o meia leca do Sarkozy e foram buscar um gajo à Holanda. Só não lhe dou os parabéns porque houve pessoal a fazer barulho pelas ruas e a buzinar carros até às tantas e não me deixaram dormir.
Ora é precisamente por este ponto que vou pegar. Eu compreendo que o pessoal vá para a rua festejar quando o clube do bairro ganha qualquer coisa. Trata-se de emoção pura e dura, sem qualquer tipo de racionalidade.
Já a política tenho alguma dificuldade em incluir nesta categoria. Política sem racionalidade é... bom, é aquilo que temos visto nos últimos anos com os resultados que todos conhecemos. Alguém tem vontade de festejar? Falando enquanto representante do povo, não me lembro da minha vida ter mudado como consequência de uma mudança no poder político...
Acho bonita a onda de solidariedade que se estendeu para os trabalhadores do Pingo Doce, obrigados a trabalhar no feriado por um capitalista sem escrúpulos. Só é pena que essa mesma onda de solidariedade tenha desaparecido enquanto esperavam por um café numa esplanada. Ou enquanto apanhavam o autocarro para ir a Belém comprar pastéis. Ou enquanto passavam pelo McDonalds ou mandavam vir uma pizza porque ninguém estava para cozinhar no feriado. Ou enquanto estavam sentados no sofá para ver as notícias do dia na televisão. Ou enquanto foram ao cinema para descontrair. Aí não há trabalhadores com direito ao feriado. Só nos hipermercados.
Apesar de se terem sagrado campeões, no Porto o ano foi marcado pela contestação ao Vítor Pereira. Não percebo porquê... acho que teve um papel decisivo na conquista do título.
Em nome do povo português, gostaria de agradecer ao senhor Jerónimo Martins a possibilidade que deu a todos os portugueses de passarem um feriado como deve ser: dentro de uma superfície comercial a rebentar pelas costuras. É bom ver que ainda há pessoas capazes de se sacrificar para ver o povo feliz.
E pensar que há quem não acredita na selecção natural... aqui está a prova irrefutável de que a estupidez mata!